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Mastopexia- Terceira Parte
Você consegue Escapar?!
Durante minha adolescência fui super rebelde, não obedecia ninguém (acho que ainda tenho sérios problemas em seguir ordens), fazia o que achava certo e não ligava para o que ninguém dizia. Por um lado, foi bom porque me blindei de ouvir muitas besteiras de alguns familiares sem noção que sempre tentaram me convencer que era errado ser como eu (gorda, ruiva, com piercing na língua e desbocada), por outro lado foi ruim pois também não ouvia conselhos sábios de pessoas que realmente se preocupavam comigo. Quando a vida adulta foi chegando fiquei bem perdida em vários aspectos. Mas principalmente com o que eu esperava de mim mesma. Porque nunca me cobrei nada na vida até então.

Quando parei e pensei: que tipo de mulher eu quero ser?

Não tinha resposta para essa pergunta e só conseguia pensar que queria ser eu mesma e que ninguém ia me dizer como ser ou como agir, nunca. E foi quando me dei conta que isso já dizia que tipo de mulher eu queria ser: queria ser independente.

Essa é a minha definição de felicidade. Eu mando no meu cabelo, no meu corpo, nas minhas ações, no tom da minha voz (sempre odieeeei quem falava “fala mais baixo, vive gritando’- vou gritar sim e  se reclamar vou berrar dentro do seu ouvido) e aonde vou. As vezes as pressões estéticas da sociedade me deixavam para baixo, não era fácil pesar 150 quilos e viver em um país onde a gordofobia e a imbecilidade imperam.
Perder peso foi uma atitude desesperada para recuperar a minha saúde, mas confesso que a vida social também ficou mais tranquila.

Tenho um baita orgulho de mim e de todas as histórias que conquistei ao longo da minha vida, as besteiras que fiz, os erros que cometi, os tropeços e os fundos de poço. Essas coisas fizeram de mim quem sou hoje. E foi quando eu entendi isso e aceitei ser a minha melhor versão todos os dias que conheci meu marido. Eu não precisava dele para me completar, eu já era completa e plena. Ele não veio somar nada. Ele veio dividir e transbordar.
Não dá para querer se moldar para alguém, mudar, revolucionar… Só quem vale esse esforço é você mesma. Faça o que você quiser, seja você na melhor essência. Não paute a sua vida na busca do par ideal. Você já é tudo que você precisa, o que vier além disso vai ser diversão e não obrigação.

Faça as coisas que você gosta sem esquentar com o julgamento alheio, vai por mim. Tudo flui melhor quando você encontra seu amor próprio e o abraça como se não houvesse amanhã.
Voltando a saga da minha recuperação pós mastopexia…

2012 (sem sutiã) // 2015 (com DOIS sutiãs) // 2016 (com sutiã cirúrgico)

Depois que passa a fase de ir toda semana no consultório, retirada de pontos, suspensão total dos remédios e praticamente todos os cuidados com o pós-operatório, sua vida recomeça de verdade. Fui liberada com 3 meses para voltar a malhar (com pequenas restrições de movimentos) e com quase 5 para todos os movimentos pois tive uma inflamação no seio esquerdo que deixou minha recuperação um pouco mais lenta. Por mais improvável que possa parecer o lado que inflamou doeu muito menos do que o lado que cicatrizou lindamente. Vai entender ne?!
Com todos meus professores da academia cientes das minhas limitações, fui voltando a praticar os exercícios que gosto e de quebra ir perdendo mais uns quilos. Clique aqui e veja tudo!
Então chegou o dia 03 de agosto e lá fui eu, mamãe e marido para o hospital de manhã bem cedo. Dar entrada na internação, tomar banho com o sabonete especial, vestir a meia anti-embolia, falar com a nutricionista, enfermeiras e anestesista. Por último porém não menos importante: a visita do meu querido cirurgião. Onde ele para já me deixar mais calma me deu um lindo presente.


Chinelo, toalha felpuda (a do hospital era péssima- hello Barra D´or, revejam essas toalhas ae hein), sabonete, shampoo e hidratante da Natura e uma necessaire super prática.


Muito atencioso, útil e fofo. Adorei. Depois ele me marcou, me mediu, mediu de novo e marcou muito. Prontinha. As 15h estaria indo para o centro cirúrgico.

Já precisei fazer duas intervenções cirúrgicas por motivos de saúde antes e nunca tive medo de anestesia nem nada. Nesse dia não podia ser diferente, estava bem tranquila. Confesso que um pouco apreensiva com o resultado final.
A enfermeira confirmou meus dados ainda na entrada do C.C. e disse que eu estava muito animada, que nunca tinha visto ninguém ir operar assim, nem mesmo plástica. Eu ri um pouco e disse que confio em Deus e o que tiver que ser será independente do meu estado de nervos.

Depois tudo correu normalmente, falei com a equipe, me prepararam e tchau tchau, caí naquele soninho gostoso que só a anestesia geral nos proporciona… Acordei ainda no centro cirúrgico e quase tive um treco quando olhei para o relógio na parede e marcava 22h…

“Meu Deus, deve ter dado tudo errado. Fiquei muito tempo aqui!”

Foi me dando um desespero e eu não conseguia falar ainda, mas juntei todas minhas forças e perguntei ‘que horas são?’. E uma mocinha muito simpática me disse ‘seis e quinze, aquele relógio ali está parado’. NESSE INSTANTE EU VOLTEI A RESPIRAR ALIVIADA!

Chegando no quarto fui passar da maca para a cama e foi nesse momento que me dei conta: não carrego mais 5kg de peso nos meus ombros. Estava tudo tão leve, mesmo com a anestesia, meio grogue, meio zonza, eu senti um alívio tão gostoso que naquele momento eu nem pensei se os seios tinham ficado bonitos, só agradeci por não estarem mais torturando minha coluna.



O doutor Acrysio passou as recomendações, remédios para dor ou enjoo e passei a noite super bem, sem nenhum desconforto e nem precisei de remedinho para dormir. Dia seguinte me alimentei legal, fiquei de pé e tive alta.

Na primeira semana eu precisei de muita ajuda em casa. Comida na boca, banho e pentear o cabelo só com alguém fazendo para mim. Ir ao banheiro eu até conseguia, mas não alcançava a descarga. Os movimentos dos braços ficam muito restritos mesmo. A recomendação é que você não levante os braços por 60 dias, durma de barriga para cima nesse mesmo período e use o sutiã cirúrgico até o seu médico liberar. É necessário muito apoio e ajuda. Muito mesmo. Sem falar nos curativos que precisam ser feitos 2 vezes ao dia.

Primeiro dia em casa. A cara ta ruim, mas os peitos tão lindos!


Nas primeiras 3 semanas eu precisei ir no consultório do doutor toda semana para ele ir tirando os pontos aos poucos (foram mais de 400), acompanhando de perto a evolução da cicatrização. No geral tudo correu muito bem, comecei a sentir algum desconforto depois da segunda semana de cirurgia. Não chegava a ser ‘dor’ propriamente dita, mas uma sensação diferente nos seios.

Nessas semanas eles estavam muito inchados, o esquerdo ficou meio torto e super altos (quase na altura do meu queixo). Mas eu sabia que era normal, com o tempo tudo iria para o seu devido lugar. Nesse período fiquei em casa de repouso absoluto, andava de carro apenas para ir no consultório médico e isso me deixava exausta e super dolorida o resto do dia.

Usei a meia anti- embolia por 15 dias. É um saco, é quente mas é necessário.

Atenção aos detalhes: colchão no chão para meu marido e enfermeiro dormir pertinho de mim, mas sem me atrapalhar na cama, cadeira em frente a TV para não passar o dia todo deitada e roupão no pé da cama para não ficar zanzando de camisolinha pela casa né?!


A alimentação também foi pensada para meu bem estar, evitando alimentos condimentados, frituras e gorduras. As medicações do pós operatório terminaram com mais ou menos 20 dias, não tive nenhuma infecção ou problema. Conforme o tempo ia passando as sensações iam se transformando, inclusive porque entrei no meu ciclo menstrual e como a maioria das mulheres inchei e fiquei com os seios doloridos. Demorei um pouco para me ligar nisso. Passei alguns dias reclamando de ‘uma dor contínua’, até que meu app do celular (uso o My Cicle) me avisou que meu período estava chegando e tudo fez sentido…

Nesse ponto correu tudo bem, usei o coletor sem problemas e quando passou os seios desincharam muito. Consegui ter uma ideia pela primeira vez de como eles ficariam. Digo ‘ideia’ porque temos ainda de 6 meses a um ano para eles se ‘assentarem’ e ficarem no formato permanente.


E depois de 20 dias já deu até para por uma roupinha, me arrumar ‘marromenos’ (o cabelo ainda preso porque ninguém acerta secar meu cabelo como eu gosto) e ir ali na rua rapidinho e voltar. Impagável poder usar uma regatinha, mesmo inchada e com sutiã cirúrgico. Comecei a entender como essa cirurgia iria mudar minha vida, seja no sentido de roupas, saúde, auto estima…

Veja o primeiro post sobre minha cirurgia aqui.